Bm1lena

O que eu tinha na cabeça?

Dissecando o que eu tinha na cabeça quando escrevi o que não escrevi

O que eu tinha na cabeça?
O que eu tinha na cabeça? Milena

Desde o fim do ano passado venho correndo contra o tempo na tentativa de aliviar as sequelas de ter me censurado por tanto tempo na escrita. Em outras palavras, venho tentado escrever mais e compartilhar com os outros um pouco daquilo que eu penso e consigo me traduzir, porque não estou sozinha no mundo, etc, etc, etc... Mas nem sempre eu escrevo algo por inteiro, muitas vezes fica pela metade, fica confuso e desinteressante... então, pra não perder o fluxo, decidi listar alguns títulos de grandes obras minhas, muitas que sequer foram iniciadas, e falar um pouquinho sobre elas!

  • Agora tudo é IA né

Esse título é muito promissor, porque entrega uma grande verdade logo de cara, além de ser quase o grande mantra da atualidade. Provavelmente eu queria refletir trazendo algum estudo de caso sobre o meu medo de ter minha identidade roubada por um robô, porque, na minha fantasia, ele seria muito melhor do que eu, o que me tornaria totalmente obsoleta. Fui de ser humano à produto, de produto à produto obsoleto... muito triste!!

  • Meu cachorro é um lobisomen

Recentemente um grupo musical que eu não vou saber explicar como quando onde e porquê, deu uma palhinha de sua música de mesmo nome do título acima, e eu achei que seria um bom ponto de partida pra falar não apenas da probabilidade matemática de cachorros serem sim lobisomens: 0%, já que lobisomen é um homem que se transforma em lobo e não o contrário, ou a probabilidade de conseguir domesticar um lobisomen, o que seria igualmente improvável, já que a característica central do lobisomen é a perda de controle na lua cheia... enfim, eu certamente tenho muito a dizer sobre lobisomens mas, além disso, o meu ponto também seria o quanto ainda incomoda até mesmo os desapegados de moral e regras, qualquer coisa que fuja da ordem e que grite desobediência.

  • Amor em tempos de Abacatudo e Moranguete

Mais um texto envolvendo IA. É o assunto do momento, não tem jeito! Seis da manhã no transporte público, já começam as alucinações... exceto que não são alucinações coisa nenhuma... ouço aquele curto acorde do que parece ser um saxofone, pelo menos é o que diz meu limitado conhecimento sobre sons, e me faz constatar: alguém neste ambiente está assistindo novelinha de frutas antropomorfas. O mais curioso é que não estou sequer em território nacional, berço da produção em questão. Depois disso, ouço em todos os outros transportes, ouço enquanto ando na rua, até eu estar em casa sozinha lavando a louça e ainda ouvir de vez em quando o mesmo saxofone, ou seja, já faz parte do meu acervo de vozes do inconsciente. Infelizmente não cheguei a lugar nenhum com esse texto, por isso a desistência, talvez prematura... mas pelo menos agora sabe-se um pouco do que eu ouço quando fecho os olhos.

  • Você devia começar um podcast!!!!

Imagino a primeira vida humana na terra que teve consciência de si mesma e dos outros e se perguntou "o que eu estou fazendo aqui?" antes de iniciar uma grande obsessão em se provar útil. Imagino essa mesma pessoa acidentalmente lascando uma pedra num formato diferente, levando seus colegas a dizerem "já pensou em ser um lascador de pedras profissional? você leva jeito!!". Provavelmente fui muito longe aqui usando o primeiro ser humano que etc pra falar de um problema talvez estrutural talvez pós-moderno. Acho que no fim das contas esse texto era mais uma pesquisa pra tentar justificar porque ainda não consegui produzir meu próprio talk show de sucesso.

  • O homem da mochila amarela

A minha ideia com esse título era relacionar de maneira sarcástica o acessório número 01 dos héteros descolados com a música de Jorge Ben, que fala da "gravata florida" de Paracelso, esse acessório símbolo de harmonia e coisas belas... mas sinceramente, que viagem. Das pequenas coisas do dia-a-dia que me tiram do sério, boa parte delas está direta ou indiretamente associada a um homem cis heterossexual portando uma mochila amarela. O meu palpite enquanto a escolha do acessório é a neutralidade da cor amarela na tentativa de quebrar um padrão de cores altamente sóbrio, característico da classe. É preciso ter limites na ousadia, quase como avaliar qual a orelha "correta" pra carregar um brinco, ou garantir que tenham suficientes referências másculas no corte de cabelo desejado. Não dá pra traçar todo o perfil de personalidade de alguém com base em um acessório mas, se isso não faz sentido nenhum, estou aqui pra representar o quão vazias estão as discussões na sociedade hoje!

Pra fechar, deixo os meus mais sinceros PARABÉNS pra você que acabou de ler uma coleção de palavras organizadas por mim, que não sou um robô (ainda), nem um produto obsoleto (ainda) e que escreveu e publicou algo que, intencionalmente, não vai me dar absolutamente nenhum retorno financeiro!

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Milena

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